A Paineira: Um Presente da Minha Mãe e um Símbolo de Proteção
É com imensa alegria que compartilho com vocês um conhecimento precioso que minha mãe, Odilia Gomez, me transmitiu quando eu tinha apenas cinco anos. Estávamos passeando pela Avenida Via Blanca, em Havana, quando uma Paineira florida começou a dominar a paisagem (veja na imagem onde ela se encontra no bairro do Cerro, em Havana, Cuba).
Minha mãe, sempre tão sensível à natureza, sentiu sua energia crescer à medida que nos aproximávamos da esplendorosa árvore barriguda. Quando entramos sob sua sombra, ela experimentou algo que só posso descrever como um "orgasmo de gratidão".
Sentamos em um banco na praça, e ela me explicou:
— Aqui é uma igreja, filho. Observa as pessoas rezando.
Ela me mostrou várias pessoas sentadas em oração: uma dando voltas ao redor da árvore, outra com a mão em seu tronco.
E continuou:
— Esta árvore é a protetora das mulheres, das mães, das gestantes e de todos os que aqui vêm pedir sua ajuda.
Deu-me um beijo e começou a rezar. Enquanto ela rezava, observei as pessoas fazendo o mesmo. Algumas circulavam ao redor do tronco enquanto falavam baixinho, compartilhando suas dores e alegrias — ou talvez enviando mensagens a seus entes queridos. Minha mãe me ensinou que a Paineira é também uma mensageira:
— Se um dia estiveres longe de mim, podes me enviar mensagens através dela.
Desde então, carrego essa conexão especial com as Paineiras, especialmente as do Brasil, onde já plantei dezenas delas, filhas daquela que conheci com minha mãe. Em uma viagem a Cuba, trouxe muitas de suas sementes. Ela ainda existe hoje, segundo me informaram amigos do Cerro, em Havana.
A Ceiba, como é chamada em Cuba, é uma árvore sagrada para muitas culturas. Ela não apenas protege, mas também cura e orienta aqueles que a ela recorrem.
A Paineira como Árvore-Igreja: Um Templo Vivo
Na tradição cubana, a Paineira (ou Ceiba) é conhecida como a "Árvore-Igreja". Segundo os sensitivos, ela é a única árvore que acolhe todos os santos, orixás e divindades.
Basta passar sob sua sombra para receber bênçãos, cura e carinho. Minha mãe sempre dizia:
— Só de estar sob a sombra da Paineira, já se recebe uma oportunidade de cura.
Um dos rituais mais bonitos envolve dar 12 voltas ao redor do tronco enquanto se compartilham questões pessoais, pedidos ou agradecimentos. Ao final das voltas, uma resposta ou compreensão costuma surgir. Além disso, a Paineira atua como mensageira: se desejar enviar uma mensagem a alguém, basta falar com ela, e seu carinho chegará à pessoa amada.
Outro costume é escrever o nome de alguém doente e esconder o bilhete sob uma pedra ou matacão próximo à árvore.
Dizem que a Paineira é especialmente protetora das mães, das gestantes e dos partos, simbolizando uma "mãe grávida" de todos nós, com seu tronco proeminente. Para mim, essa árvore é muito mais do que um símbolo; é um templo vivo, um ponto de encontro entre o humano e o divino.
A Jornada das Paineiras no Brasil: Uma Conexão Telepática
Quando vim ao Brasil, trouxe comigo sementes de uma Paineira cubana. Com a ajuda de amigos mobilizados pelo Orkut, plantamos três delas na Rua MMDC, no início do bairro Butantã, em São Paulo. Essas árvores carregavam não apenas minhas memórias de infância, mas também a energia poderosa da Ceiba que minha mãe tanto amava.
Os anos passaram, eu me mudei para outro bairro, e um dia, olhando para o horizonte do apartamento da minha amada Annete, na Avenida Jaguaré, escutei uma "voz" interna me dizendo para visitar as Paineiras do Butantã. Embora tivesse muitas tarefas pendentes, a vontade era visceral. Adoro seguir os chamados do meu corpo.
Ao chegar, descobri que uma delas havia sido arrancada algumas horas antes e estava prestes a ser descartada. Sem hesitar, levei-a comigo e a replantei na encruzilhada da Avenida Jaguaré com a Avenida Politécnica. Cuidei dela diariamente, criando um "tapete de Oxalá" ao seu redor para protegê-la.
Mesmo após minha mudança para Cascavel, mantive essa conexão. Recentemente, minha amada Annete enviou uma foto mostrando que a Paineira está completamente recuperada. Como explicar essa ligação, senão por um vínculo telepático entre quem planta e a árvore que recebe cuidado? Para mim, essa experiência reafirma a importância de honrar e proteger esses seres majestosos que tanto nos oferecem.
Hoje, 3 de março, Annete me mandou uma foto da Paineira florida. Suas flores são de um rosa escuro que adoro. Na hora, pensei que as centenas de Paineiras que plantei no Brasil também devem estar começando a florescer.
A Ceiba na Cultura Maia e Afro-Cubana: Um Símbolo de Vida e Espiritualidade
A Ceiba, ou Paineira, é uma árvore sagrada para diversas culturas, incluindo os maias, taínos, quechuas, pipiles, nahuas e a cultura afrocubana.
Na cosmovisão maia, a Ceiba é chamada de "YA'AXCHE" e é considerada a árvore que conecta os treze céus, a terra e o mundo inferior. Suas raízes representam o Xibalbá (morada dos mortos), seu tronco simboliza a terra habitada pelos seres vivos, e seus galhos sustentam a morada dos deuses. No topo de sua copa, dizem que habita uma magnífica Ave Quetzal celestial, símbolo da origem de todos os deuses. Para os maias, a Ceiba representa vida, perpetuidade, grandeza, bondade, força e união. Ela é tão alta, vistosa e generosa que recebe oferendas e veneração em várias regiões da Mesoamérica.
Na cultura afrocubana, a Ceiba é considerada uma "árvore igreja", pois acolhe todos os santos, orixás e divindades. Sua sombra é um espaço sagrado onde se pode conversar com o divino e buscar orientação. Minha mãe sempre nos ensinou a respeitar e amar a Ceiba. Para nossa família, ela é muito mais do que uma árvore; é um símbolo de conexão espiritual e proteção universal.
Hoje, continuo essa tradição, plantando e cuidando de Paineiras onde quer que eu vá. Elas são mais do que árvores para mim; são guardiãs de histórias, memórias e conexões espirituais que transcendem gerações!
Travesseiro de Paina
Com a paina da paineira podem ser feitos travesseiros. Eu tenho um pequeno que sempre me acompanha desde o nascimento da minha filha Iara.
A Paineira em Minha Vida: Um Compromisso com o Futuro
A história da Paineira em minha vida é um testemunho de amor, conexão e respeito por essa árvore sagrada que tanto representa para mim e para tantas culturas ao redor do mundo. Desde os ensinamentos de minha mãe em Cuba, quando eu era apenas uma criança, até os dias atuais, a Paineira tem sido uma presença constante em minha jornada espiritual e pessoal. Ela não é apenas uma árvore; é uma guardiã, uma mensageira, um símbolo de cura, proteção e perpetuidade.
Hoje, vivendo em Cascavel, sigo cultivando esse vínculo especial com as Paineiras. Atualmente, tenho 20 mudas dessas majestosas árvores crescendo em minha casa, em vasos, cada uma delas carregando consigo a energia e os ensinamentos que recebi ao longo da vida. Essas mudas serão plantadas em praças de Cascavel ou matas protegidas por lei. É muito importante escolher o lugar certo para plantar uma árvore que durará centenas de anos.
Elas são promessas de futuro, esperança e renovação. Em breve, serão plantadas nas praças de Cascavel, espalhando suas raízes profundas e seus galhos generosos, oferecendo sombra, beleza e bênçãos a todos que passarem por ali. Serão refúgio para pássaros, musgos, insetos e outras plantas que crescem em sua sombra. Em muitos lugares, as pessoas se inspiram e constroem belos jardins ao redor das Paineiras, como na Praça da República, no centro de Havana.
Essas novas Paineiras continuarão a missão das que plantei em São Paulo, como aquela que resgatamos na Avenida Jaguaré e que hoje floresce vigorosamente, graças aos cuidados diários e à conexão telepática que sempre senti com ela. Cada árvore que planto é uma extensão de mim mesmo, uma forma de deixar um legado vivo e pulsante para as próximas gerações.
A Paineira, ou Ceiba, é muito mais do que um presente da natureza; ela é uma ponte entre o humano e o divino, entre o material e o espiritual. Sua sombra cura, sua presença conforta e sua força inspira. Ao compartilhar essas histórias e experiências, meu desejo é que mais pessoas possam reconhecer o valor dessa árvore extraordinária e se sintam motivadas a protegê-la, honrá-la e plantá-la.
Que as futuras Paineiras de Cascavel sejam testemunhas de histórias tão bonitas quanto as que vivi até aqui. Que elas sejam refúgios para aqueles que precisam de cura, inspiração ou simplesmente de um momento de paz sob suas folhas. E que, assim como minha mãe me ensinou há tantos anos, eu também possa transmitir às próximas gerações o profundo respeito e amor pela Ceiba – nossa protetora, nossa igreja, nossa mãe grávida da vida.
Com gratidão e amor,
Te amo,
Hector Othon 🌺
La Ceiba: Un Regalo de Mi Madre y un Símbolo de Protección
Es con inmensa alegría que comparto con ustedes un conocimiento precioso que mi madre, Odilia Gomez, me transmitió cuando tenía apenas cinco años. Estábamos paseando por la Avenida Vía Blanca y calle Serafines, en La Habana, cuando una Ceiba en flor comenzó a dominar el paisaje (ver en la imagen dónde se encuentra en el barrio del Cerro, en La Habana, Cuba).
Mi madre, siempre tan sensible a la naturaleza, sintió su
energía crecer a medida que nos acercábamos al esplendoroso árbol barrigón. Cuando entramos bajo su sombra, experimentó algo que solo puedo describir como un "orgasmo de gratitud".
Nos sentamos en un banco de la plaza, y ella me explicó:
— Aquí es una iglesia, hijo. Observa a las personas rezando.
Me mostró a varias personas sentadas en oración: una dando vueltas alrededor del árbol, otra con la mano sobre su tronco.
— Este árbol es el protector de las mujeres, de las madres, de las embarazadas y de todos los que vienen aquí a pedir su ayuda.
Me dio un beso y comenzó a rezar. Mientras ella oraba, observé a las personas haciendo lo mismo. Algunas rodeaban el tronco mientras murmuraban en voz baja, compartiendo sus penas y alegrías —o quizás enviando mensajes a sus seres queridos. Mi madre me enseñó que la Ceiba también es una mensajera:
— Si algún día estás lejos de mí, puedes enviarme mensajes a través de ella.
Desde entonces, llevo conmigo esta conexión especial con las Ceibas, especialmente con las de Brasil, donde ya he plantado decenas de ellas, hijas de aquella que conocí con mi madre. En un viaje a Cuba, traje muchas de sus semillas. Aún sigue existiendo hoy, según me informaron amigos del Cerro, en La Habana.
La Ceiba, como se le llama en Cuba, es un árbol sagrado para muchas culturas. No solo protege, sino que también cura y guía a quienes recurren a ella.
La Ceiba como Árbol-Iglesia: Un Templo Vivo
En la tradición cubana, la Ceiba es conocida como el "Árbol-Iglesia". Según los sensitivos, es el único árbol que acoge a todos los santos, orishas y deidades.
Basta con pasar bajo su sombra para recibir bendiciones, sanación y consuelo. Mi madre siempre decía:
— Solo con estar bajo la sombra de la Ceiba, ya se recibe una oportunidad de sanación.
Uno de los rituales más bellos consiste en dar 12 vueltas alrededor de su tronco mientras se comparten preocupaciones, peticiones o agradecimientos. Al finalizar las vueltas, suele surgir una respuesta o comprensión. Además, la Ceiba actúa como mensajera: si deseas enviar un mensaje a alguien, basta con hablarle, y su cariño llegará a la persona amada.
Otro hábito común es escribir el nombre de una persona enferma y esconder el papel bajo una piedra o roca cerca del árbol.
Se dice que la Ceiba es especialmente protectora de las madres, de las embarazadas y de los partos, simbolizando una "madre gestante" de todos nosotros con su tronco prominente. Para mí, este árbol es mucho más que un símbolo; es un templo vivo, un punto de encuentro entre lo humano y lo divino.
El Viaje de las Ceibas en Brasil: Una Conexión Telepática
Cuando llegué a Brasil, traje conmigo semillas de una Ceiba cubana. Con la ayuda de amigos movilizados por Orkut, plantamos tres de ellas en la calle MMDC, al inicio del barrio Butantã, en São Paulo. Estos árboles no solo llevaban mis recuerdos de infancia, sino también la poderosa energía de la Ceiba que mi madre tanto amaba.
Los años pasaron, me mudé a otro barrio y, un día, mirando el horizonte desde el apartamento de mi amada Annete, en la Avenida Jaguaré, escuché una "voz" interna diciéndome que visitara las Ceibas de Butantã. Aunque tenía muchas tareas pendientes, el deseo era visceral. Me encanta seguir los llamados de mi cuerpo.
Al llegar, descubrí que una de ellas había sido arrancada unas horas antes y estaba a punto de ser descartada. Sin dudarlo, la llevé conmigo y la replanté en el cruce de la Avenida Jaguaré con la Avenida Politécnica. La cuidé diariamente, creando un "tapete de Oxalá" a su alrededor para protegerla.
Incluso después de mudarme a Cascavel, mantuve esa conexión. Recientemente, mi amada Annete me envió una foto mostrando que la Ceiba está completamente recuperada. ¿Cómo explicar este vínculo, sino como una conexión telepática entre quien planta y el árbol que recibe cuidado? Para mí, esta experiencia reafirma la importancia de honrar y proteger a estos seres majestuosos que tanto nos ofrecen.
Hoy, 3 de marzo, Annete me envió una foto de la Ceiba en flor. Sus flores son de un rosa oscuro que adoro. En ese momento, pensé que las cientos de Ceibas que he plantado en Brasil también deben estar comenzando a florecer.
La Ceiba en la Cultura Maya y Afrocubana: Un Símbolo de Vida y Espiritualidad
La Ceiba, o Paineira, es un árbol sagrado para diversas culturas, incluyendo los mayas, taínos, quechuas, pipiles, nahuas y la cultura afrocubana.
En la cosmovisión maya, la Ceiba es llamada "YA'AXCHE" y es considerada el árbol que conecta los trece cielos, la tierra y el inframundo. Sus raíces representan el Xibalbá (la morada de los muertos), su tronco simboliza la tierra habitada por los seres vivos, y sus ramas sostienen la morada de los dioses. En la cima de su copa, se dice que habita una magnífica Ave Quetzal celestial, símbolo del origen de todos los dioses. Para los mayas, la Ceiba representa vida, perpetuidad, grandeza, bondad, fuerza y unión. Es tan alta, vistosa y generosa que recibe ofrendas y veneración en varias regiones de Mesoamérica.
En la cultura afrocubana, la Ceiba es considerada un "árbol iglesia", pues acoge a todos los santos, orishas y divinidades. Su sombra es un espacio sagrado donde se puede conversar con lo divino y buscar orientación. Mi madre siempre nos enseñó a respetar y amar la Ceiba. Para nuestra familia, es mucho más que un árbol; es un símbolo de conexión espiritual y protección universal.
Hoy, continúo esta tradición, plantando y cuidando Paineiras dondequiera que vaya. Para mí, son más que árboles; son guardianas de historias, memorias y conexiones espirituales que trascienden generaciones.
Almohada de Paina
Con la paina de la Paineira se pueden hacer almohadas. Tengo una pequeña que siempre me ha acompañado desde el nacimiento de mi hija Iara.
La Paineira en Mi Vida: Un Compromiso con el Futuro
La historia de la Paineira en mi vida es un testimonio de amor, conexión y respeto por este árbol sagrado que tanto representa para mí y para tantas culturas alrededor del mundo. Desde las enseñanzas de mi madre en Cuba, cuando era solo un niño, hasta el día de hoy, la Paineira ha sido una presencia constante en mi camino espiritual y personal. No es solo un árbol; es una guardiana, una mensajera, un símbolo de sanación, protección y perpetuidad.
Hoy, viviendo en Cascavel, sigo cultivando este vínculo especial con las Paineiras. Actualmente, tengo 20 plántulas de estos majestuosos árboles creciendo en mi casa, en macetas, y cada una de ellas lleva consigo la energía y las enseñanzas que he recibido a lo largo de mi vida. Estas plántulas serán plantadas en plazas de Cascavel o en bosques protegidos por ley. Es muy importante elegir el lugar adecuado para plantar un árbol que vivirá cientos de años.
Son promesas de futuro, esperanza y renovación. Pronto serán plantadas en las plazas de Cascavel, extendiendo sus raíces profundas y sus ramas generosas, ofreciendo sombra, belleza y bendiciones a todos los que pasen por allí. Serán refugio para aves, musgos, insectos y otras plantas que crecen bajo su sombra. En muchos lugares, las personas se inspiran y construyen hermosos jardines alrededor de las Paineiras, como en la Plaza de la República, en el centro de La Habana.
Estas nuevas Paineiras continuarán la misión de las que he plantado en São Paulo, como aquella que rescatamos en la Avenida Jaguaré y que hoy florece vigorosamente, gracias al cuidado diario y a la conexión telepática que siempre he sentido con ella. Cada árbol que planto es una extensión de mí mismo, una forma de dejar un legado vivo y palpitante para las próximas generaciones.
La Paineira, o Ceiba, es mucho más que un regalo de la naturaleza; es un puente entre lo humano y lo divino, entre lo material y lo espiritual. Su sombra sana, su presencia reconforta y su fuerza inspira. Al compartir estas historias y experiencias, mi deseo es que más personas puedan reconocer el valor de este árbol extraordinario y se sientan motivadas a protegerlo, honrarlo y plantarlo.
Que las futuras Paineiras de Cascavel sean testigos de historias tan hermosas como las que he vivido hasta ahora. Que sean refugio para aquellos que necesiten sanación, inspiración o simplemente un momento de paz bajo sus hojas. Y que, así como mi madre me enseñó hace tantos años, yo también pueda transmitir a las próximas generaciones el profundo respeto y amor por la Ceiba – nuestra protectora, nuestra iglesia, nuestra madre embarazada de vida.
Hector Othon

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